O vil debate da festa do vinil

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Começo de curso de pós-graduação, o pessoal querendo socializar, um sujeito da minha sala anuncia que faria uma festa, e que rolaria música em vinil. Eis que uma menina da minha sala fica toda empolgada. Eu não entendi a empolgação, e como curioso patológico, decidi elucidar aquilo.

- Por que você ficou empolgada com a festa?

- Por que vai rolar vinil!

- E…

E todo mundo me encarou como se eu tivesse falado merda e como se eu precisasse me explicar. Me expliquei, então:

- Ele só falou que vai rolar vinil, mas não falou que música vai rolar. Não falou se é rock, se é sertanejo, se é música erudita, se é pagode, se é banda marcial…

E todo mundo continuou me encarando, e eu continuei falando:

- E se eu falasse que vou dar uma festa, e que vou servir bebida em copo plástico, vocês ficariam empolgados? Eu não ía dizer se ía ser suco de groselha, Maguari de cajú, cachaça, refrigerante, sakê, Tang de laranja ou whisky paraguaio…

E a menina respondeu:

- Ai, Douglas! Como você é burro! Se a pessoa fala que vai rolar vinil, é por que vai tocar Elis Regina, Chico Buarque, Beatles…

Aquela idiotice toda já tava me deixando nervoso, e eu disse:

- Não tem como você saber disso!

E eu olhei pro organizador da festa e disse:

- Não é?

- Mas ela acertou! É isso mesmo que vai rolar por lá!

- Viu só, Douglas? Ai, ai, ai…

Eu me senti um completo idiota. PUTA QUE PARIU, Marshall McLuhan tinha razão: o meio é a mensagem.

Um trabalho sujo

Hoje, acabei de ler “Um trabalho sujo”, um livro delicioso escrito pelo sr. Christopher Moore, o mesmo que escreveu “O Cordeiro”, que eu já resenhei aqui no blog.

Capa do livro "Um trabalho sujo"

Comecei a ler o livro faz alguns dias, mas hoje não consegui largar o livro. Depois que saí do trabalho, fui lanchar num prédio comercial perto de onde moro e acabei sentando num banco por lá e lendo o livro até o fim. O livro tava tão, mas TÃO bom que decidi não perder tempo indo pra casa.

Assim como eu comentei na resenha de “O Cordeiro”, esse autor me faz dar gargalhadas épicas (a ponto de um segurança me perguntar se eu tava bem) e logo em seguida me fazer o olho encher de água (que eu sempre disfarço com um bocejo, lógico!).

Resumindo, o livro é foda, o autor é foda, São 448 páginas que passam voando, num projeto gráfico bem caprichado pela editora Bertrand Brasil (que, como sempre, está de parabéns!).

Sobre a história então… O personagem principal do livro é Charlie Asher, um recém-viúvo com uma filha recém-nascida e recém empregado como… a morte! Um buscador e distribuidor de almas, na verdade. Um funcionário da morte.

Um sujeito meio banana que acaba de perder a mulher tem que criar uma filha recém-nascida; trabalhar para a morte; gerenciar um brechó onde trabalham um ex-policial que procura amor verdadeiro pela internet e uma gótica adolescente; que tem uma irmã lésbica que cata suas roupas; que tem vizinhas bizarras (sexagenárias oriundas do bloco asiático); que cria dois cães-do-inferno; que enfrenta harpias milenares que querem dominar o mundo; entre muitas muitas muitas outras coisas que saciam facilmente meu gosto por histórias estranhas envolvendo coizas bizarras e personagens extremamente cativantes.

Uma coisa muito legal é que Charlie Asher é um macho beta: não tem as capacidades de liderança e a virilidade de um macho alfa, mas tem a capacidade imaginativa e consegue conduzir uma situação sem precisar liderar, é mais atencioso com as mulheres, é mais inteligente… enfim, um sujeito bacana.

Eu e o mestre Jimmú Bobéris Wodouvhaox já havíamos discutido essa nomenclatura antes: machos alfa, beta e gama. O macho gama seria, na nossa definição, um sujeito extra-criativo, mas extra-tímido, tanto que teria dificuldades para se socializar, embora muito desejoso de contato humano (e cafunés e coisa e tal). O autor do livro fez a mesmíssima distinção entre os tipos de macho, sendo que a única diferença é que o que eu e o Jimmú chamamos de macho alfa, ele chamou de macho omega. Mas quem me conhece sabe da minha implicância com o alfabeto, então que seja omega daqui pra frente!

Outro pensamento que eu e o autor do livro compartilhamos é a ideia de como as emoções humanas fabricam “deuses” e criaturas mágicas praqueles que creem, e a ideia de divindades de origem diferentes coexistirem sem problemas de paradoxos. Mas parece que Jung teve essa ideia bem antes da gente… Mas alguém deve ter pensado isso bem antes do sr. Jung também. Acho que é uma coincidência criativa recorrente.

Não bastasse as coincidências de pensamento que eu já apontei, o autor usou O IMPERADOR NORTON COMO UM PERSONAGEM NO LIVRO!

Eu sou tão fã do Imperador Norton que inclusive batizei um peixe beta que tive anos atrás com o nome dele, Joshua Norton (mas eu só chamava ele de Josh, por que ele era meu animal de estimação e isso me permitia alguma intimidade).

Pra quem não sabe, Joshua Norton se auto-proclamou imperador dos Estados Unidos (e protetor do México) nos idos de 1800 e tanto. Ele, além de patrulhar San Francisco, sua “base”, ordenou o fechamento do Congresso Americano e a dissolvição dos partidos democrata e republicano, além de escrever pedindo a Rainha Vitória, do Reino Unido, em casamento, para assim unificar os impérios (que também pode ser entendido como uma metáfora pra dar umazinha, creio eu). Só faltou ele ser levado a sério. Vale MUITO a pena dar uma pesquisada sobre o Imperador Norton, e eu sugiro começar na Wikipedia. Sério mesmo.

Enfim… Acabei de ler o livro não faz nem 2 horas e já estou com saudades.

Enfim… Leiam!

Tarkovski “animado”

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O canal de televisão para crianças filhas de intelectuais, Kult Kids (que escapou por pouco de um processo de racismo) iniciou a exibição do desenho animado baseado na obra e estética do cineasta mais que russo Andrei Tarkovski.

A estética infantil batizada de animé vague, ou animé inanimé, fez muito sucesso entre as crianças. Depois de 10 segundos numa mesma cena de 10 minutos, as crianças abandonam a televisão e começam a brincar, enquanto seus pais estimulam a masturbação produção intelectual escrevendo críticas dos episódios, trazendo diversão para toda a família.

A tentativa de introdução da estética de Tarkovski à infância através da animação se dá, coincidentemente, simultaneamente ao lançamento à adaptação de A infância de Ivan para vídeo-game. Sergei Pokotovski, produtor do game, diz que se a resposta de mercado for boa, o jogo terá continuação.

O canal Kult Kids já planeja a encomenda de outros desenhos animados infantis baseados em outros cineastas cults, como Kar Wai Wong, Ingmar Bergman e um cineasta iraniano de nome intraduzível. O Brasil não está de fora, e já está terminando Lampiãozinho Espivetado contra as mazelas do neo-liberalismo, em homenagem à Glauber Rocha. Os investimentos do canal ainda incluem um programa musical infantil baseado na estética musical de John Cage.

Vamos vazar?

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Por mais incrível que pareça, a expressão “Vamos vazar” surgiu com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman derivado do seu conceito de “humanidade líquida”.

Assim como já descreveu antes conceitos para medo líquido, tempo líquido, amor líquido e modernidade líquida, esse excelso pensador da contemporaneidade observou nos estados da matéria uma metáfora com as concentrações humanas.

Observando que em 1900 a população total do planeta era de 1,5 bilhões de pessoas e em 2000 era de mais de 6,3 bilhões, esse pensador polonês constatou que os espaços, principalmente os espaços urbanos, antes eram ocupados por pessoas numa concentração que lembravam os gases. Pessoas espalhadas, em baixa densidade, com possibilidade de constante movimento.

Como bem observou o autor, O século XX teve mais que apenas um boom de natalidade, mas os diversos avanços na medicina e a taxação da eugenia e discrinação étnica como crime, a população da raça humana quadriplicou no planeta, fazendo com que mais seres humanos começassem a ocupar o mesmo espaço físico.

Espaços que antes tinham a ocupação humana da densidade de um gás, agora se comportam como líquido: um agrupamento notavelmente maior de pessoas, andando em grupos enviesados.

Foi dele a sugestão de usar a expressão “Vamos vazar daqui” (Let’s leak from here), que se popularizou no Brasil, um país notadamente acadêmico, onde Bauman é ementa essencial em cursos de comunicação e, inclusive, bibliografia recomendada em cursos de filosofia.

A sugestão do autor foi para usar essa expressão toda vez que se saí de uma concentração densa de pessoas. Etimólogos contemporâneos indicam que, no princípio, a expressão foi usada com seu sentido original, mas após a disseminação e a popularização do termo, passou a denominar todo e qualquer deslocamento humano pra fora de um lugar, concentrado ou não.

Fica para o próximo artigo a explicação de outro termo criado por Bauman, “Vamos ferver hoje!”, também derivado de suas metáforas com os estados da matéria e muito usado por clubbers.

Douglas – Designer gráfico e… jornalista?

Comecei a fazer minha arrumação anual do quarto essa semana. Jogando muita coisa velha fora, guardando umas relíquias… Um pouco de nostalgia e muito de alergia.

Mas não é sobre isso que eu quero falar, mas sobre um cartão que achei.

Pra quem não sabe, sou designer gráfico, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Ano passado conheci um sujeito, simpático, gente fina, designer também, mas sem formação acadêmica. Hoje achei o cartão dele, bem bacana, escrito “Designer gráfico”. E ele é designer. Não tenho nada contra.

Mas eu fiquei pensando… Não precisa diploma para ser designer, e agora, não precisa diploma para ser jornalista. Eu poderia muito bem fazer um cartão escrito “Douglas Domingues – Designer gráfico e jornalista”. Experiência? Ah, eu escrevo sempre, já fiz uns fanzines, deve contar… O mais bacana é: quem pode contestar?

Então, pra cada profissão não regulamentada, eu posso adicionar outra atividade no meu cartão, por mais que eu não tenha experiência. Incrível!

Douglas Domingues - Designer gráfico, jornalista, dançarino, acupunturista, músico, prostituto, arquivista, barista, analista de sistemas e etc, muitos etc.

Sacolas plásticas…

Sacola plástica

Esses dias tava esperando um ônibus passar quando eu vi uma sacola plástica voando. Aquilo me fez pensar… E muito.

Algumas pessoas dizem que George Carlin é um humorista gênio, mas que eu acho que é um gênio humorista. Muito famoso por suas apresentações de stand-up comedy, livros e shows gravados em cd. Numa de suas últimas apresentações, pra HBO, ele falou sobre a sacola plástica.

Como ele bem observou, é muito pretensioso dizer que o ser humano vai acabar com a Terra, que já tem quase CINCO BILHÕES DE ANOS. Espécies animais e vegetais entram em extinção todos os dias, e já entravam bem antes dos humanos andarem em pé e cagarem em porcelana. Se alguma coisa está marcada pra acabar, é a humanidade.

As instituições pró-ambiente adoram atacar as sacolas plásticas, por que elas demorar um tempão pra se deteriorar. Mas George Carlin cogitou: E se o planeta só criou os humanos por que não sabia sintetizar sacolas plásticas? E se esse é o objetivo da existência da humanidade?

Parecia só uma piada, até o dia que eu estava esperando um ônibus passar quando eu vi uma sacola plástica voando.

Na minha opinião, uma sacola plástica voando tem mais beleza que a maior parte das poesisas e obras de arte que existem. E eu não estou falando de arte moderna e contemporânea. Pra mim, uma sacola plástica voando tem tanto encanto quanto uma estátua de Michelângelo. É muitíssimo mais formoso que um aviãozinho de papel voando. A forma que o vento guia a sacola, que ela torce e retorce, o ritmo que acelera e desacelera, o jeito que sobe e desce, as vezes tocando o chão, as vezes chegando bem alto… é hipnótico observar.

Conversando com meu grande amigo Miagui Engano, a gente teve uma ideia bacana… Se o plástico demora taaanto tempo pra se deteriorar, uma boa maneira de prolongar nossa passagem tão rápida pela Terra é espalhar nossos plásticos por aí. A gente combinou de pesquisar qual o tipo de plástico MENOS bio-degradável e aprimorar a ideia.

E vivam as sacolas plásticas! Pelo menos mais que a gente elas vão viver…

P.S.: Lembrei também do Macedusss, um dos loucos mais bacanas da internet, que se auto-declarou um Jesus ateu que se auto-criou dentro do útero do fogo do inferno. Ele fundou a “Igreja Dogmática dos Céticos que Usam Saco Plástico na Cabeça”, que sobrevive ainda hoje no Orkut. Veja aqui.

Grafitto #01: Fume peixes!

O Projeto Grafitto faz parte da Operação Mindfuck e propõe propagar slogans absurdos.

Algumas idéias propõem pichações em muros, escrever em dinheiro, panfletos (distribuir ou deixar dentro de livros em bibliotecas, revistas em salas de espera, etc.), espalhar cartazes, colar adesivos, etc.

O Projeto Grafitto não é um projeto artístico ou político, e seu objetivo é o mindfuck em si.

Algumas frases interessantes que eu achei pela internet:

“Papel higiênico é uma conspiração governamental, use as mãos”
“Quer perder peso? Faça guerra de comida!”
“Dormir antes de acordar é prejudicial à saúde”
“Sanidade é o que a maioria dos lunáticos impôs como padrão”
“Amarelo é uma mentira. Ignore-o”
“O que está faltando nessa frase?”

Eu, de bobeira na internet, não sei por quê acabei caindo numa receita de peixe defumado, em inglês, e o título era “How to smoke fish” (Como defumar peixe). Como o verbo smoke serve tanto para defumar quanto para fumar, o trocadilho foi inevitável, e eu acabei criando o “Fume peixes!“, em português.

Fiz um esboço rápido de um homem fumando um peixe pra usar como cartaz. Se alguém quiser a imagem vetorizada e em alta resolução, é só me mandar um e-mail. Ou pode também criar sua própria imagem!

Fume peixes

Aguardem por novas frases, panfletos e cartazes do Projeto Grafitto!

P.S.: Depois que eu fiz esse desenho, eu fiquei pensando que, limpando os miolos de um peixe e recheando-o com fumo, a idéia de fumar usando um peixe como filtro ficou até interessante…

Me indica um artigo

Começo de curso na universidade, o pessoal empolgado, uma menina da minha sala manda um e-mail pedindo a indicação de um artigo bacana. Eis a minha resposta.

Olha, de todos os artigos que eu li, o que eu mais gostei foi o “uma”. Eu conheço vários: o, a, os, as, um, uma, uns, umas. O “uma” tem uma sonoridade interessante, e ainda por cima é do gênero feminino, o que torna as coisas mais interessantes, né? E eu também gosto da subjetividade do artigo “uma” por que ele é um artigo indefinido… Isso abre mil possibilidades… Eu já vi esse artigo precedendo substantivos maravilhosos e fantásticos! Sem dúvida, se eu tenho que eleger o melhor artigo que eu li até hoje, na língua portuguesa, é o “uma”. Um primor de artigo.

Duubhglas

P.S.: Viajei?!

O Cordeiro

cordeiro

Sabe aquela sensação de aperto no peito que dá quando você termina de ler um livro bom? Então, eu tô sentindo ela agora. Até dei um nome pra ela: Síndrome do fim do livro. E quanto melhor o livro, mais o aperto. Puta que pariu, que aperto que eu tô sentindo agora!

O livro em questão é O cordeiro – O evangelho segundo Biff, o brother de infância de Cristo. Faz alguns anos que eu conheço esse livro, mas só de fama. Eu sempre via ele no Amazon.com, mas nunca li um livro de ficção em inglês, e ficava receoso de comprar. Em janeiro desse ano, andando no shopping com meu primo, eu vi uma edição em português e comprei sem nem saber se eu tinha dinheiro pra isso! Comecei a ler a primeira das 560 páginas tão logo eu cheguei em casa, mas como minha ida pra São Paulo, o curso de cinema, minha volta e minha tara por filmes trash, eu diminuí o ritmo de leitura… Bastante! Eu lia grandes nacos do livro, de tempos em tempos.

Eu leio muito, e vários livros em paralelo, e há alguns anos eu percebi que eu sempre sabotava minha leitura quando o livro era muito bom, pra ele durar mais, e acho que foi o caso aqui, por que enquanto lia O cordeiro, eu li um bocado de livros.

O Cordeiro conta a história de Jesus, que aqui é chamado pelo nome original Josué, e quem narra essa história é Levi, aquele que é chamado de Biff. A Bíblia pouco fala da infância de Jesus, e nem sequer cita sua adolescência ou mocidade, e o livro passa por todo esse período. No livro, Josué e Biff peregrinam para achar os três reis magos em busca dos ensimanentos, viajam pra China, Índia, estudam confucionismo, taoísmo, e budismo, conhecem o lendário Yeti, e enquanto Josué aprende yoga, Biff aprende o Kama Sutra… Ah, e Jesus libera o bacon para os judeus, muito importante! O rascunho do sermão da montanha é hilário!

Biff, obviamente, foi um personagem inventado pro livro. Ele é o amigo safado de Jesus, louco em Madalena, tarado pela mãe de Jesus, blasfemo, inventor do sarcasmo, malando ao extremo mas um amigo incomparável, mais do que fiel. Todo mundo tem um amigo safado assim… Se você não tem um amigo desses, você é o tal amigo de alguém! Hehehe!

Embora o livro seja muitíssimo engraçado, ele tem partes dramáticas beeem pesadas, o que em seriados é chamado de dramédia. É um livro que horas faz você mijar de tanto rir, hora faz você pensar profundamente. Vou transcrever um dos momentos de reflexão que eu mais gostei aqui:

Biff falando: “A raça humana, acredito eu, foi projetada para ser movida – ser motivada -  pela tentação. Se o progresso é uma virtude, então essa é nossa maior dádiva. (O que é a curiosidade senão uma tentação intelectual? E que progresso é possível sem curiosidade?) Por outro lado, será que podemos chamar uma fraqueza tão profunda de dádiva, ou será uma falha projetada? Será a tentação em si a culpada pela desgraça humana, ou será apenas a falha de julgamento em resposta à tentação? Em outras palavras, de quem é a culpa? Da humanidade ou do projetista incompetente? Porque não posso deixar de pensar que se Deus nunca tivesse dito a Adão e Eva para evitarem o fruto da árvore do conhecimento, a humanidade ainda estaria correndo nua pelo paraíso, dandçando de felicidade e batizando alegremente as coisas, entre coquetéis , cochilos e coitos.”

Recomendo muitíssimo o livro, independente de qual seja a sua crença. O único pré-requisito é ter senso de humor. Vale a pena o preço do livro, que custa cerca de R$ 50, impresso em papel polen soft, com relevo e cor especial com brilho na capa (papinho de designer…).

Enredos, parte 1

Enredo (ou trama) é a espinha dorsal de uma narrativa. Pode ser definido como uma sucessão de acontecimentos que constituem a ação, em uma produção literária (história, novela, conto etc.).

Alguns amigos já sabem que o meu sonho é viver produzindo filmes trash. Como eu costumo dizer, trash na temática, impecável na técnica.

Estudando cinema, eu me deparei com vários pesquisadores que se questionaram se todas as histórias, todos os enredos, não podem ser reduzidos a alguns poucos padrões. Existem grupos com 4, 20, 36 e diversos agrupamentos.

Um dos que mais me agradou foi o de Ronald Tobias. Como estudo, eu tô traduzindo um dos textos dele, colocando depois de cada tema, um exemplinho trash. Tomara que sirva pra alguém pra alguma coisa.

Vou dividir em 2 ou 3 postagens.

20 enredos de mestre, de Ronald Tobias

Busca – Aventura – Perseguição – Resgate – Fuga – Vingança – Enigma – Rivalidade – Desvantagem – Tentação – Metamorfose – Transformação – Amor – Amor proibido – Sacrifício – Descoberta – Excesso – Ascensão – Decisão

1 – Busca – O enredo envolve a busca do protagonista por uma pessoa, lugar ou coisa, tangível ou intangível (mas deve ser quantificável, então pense nisso como um pronome, por exemplo, imortalidade).

Exemplo: Um jovem vesgo busca por um desentortador de olhos.

2 – Aventura – Este enredo envolve o protagonista em busca de fortuna, e sendo que a fortuna nunca é achada em seu ambiente, o protagonista vai buscá-la em algum lugar além do arco-íris.

Exemplo: Uma samambaia de floricultura com pensamentos bélicos se alista no exército em busca de aventura.

3 – Perseguição – Este enredo envolve esconder e procurar, uma pessoa perseguindo a outra, literalmente.

Exemplo: Um invejoso vendedor de churros contrata um assassino para matar seu rival, que antes de vender churros foi um agente da polícia militar.

4 – Resgate – Este enredo envolve o protagonista buscando alguém ou alguma coisa, geralmente consistindo de três personagens principais – o protagonista, a vítima e o antagonista.

Exemplo: O jovem Alfredo desapareceu, depois de sair em uma busca pela cidade perdida de Lambuku, que escondia um grande segredo do beijo grego. Sua namorada pervertida parte em sua busca, mas ela não contava que a Associação do Sexo Careta a perseguiria.

5 – Fuga – Este enredo envolve um protagonista confinado com desejo de escapar (não inclui alguém tentando escapar de seus próprios demônios).

Exemplo: Após o apocalipse-macho, a Terra se tornou uma grande vila lésbica, onde a reprodução é feita apenas por laboratório, gerando apenas fêmeas. Porém, no palácio da rainha Edinanci vivem enjaulados os 3 últimos homens da Terra, que são um búlgaro, um gay e um nerd.

6 – Vingança – Retaliação do protagonista ou antagonista contra o outro por danos reais ou imaginários.

Exemplo: Ananias era o melhor garçom da boate onde os alienígenas disfarçados de humano costumavam freqüentar. Um dia ganha um prêmio, e seu melhor amigo Jonas, por inveja, sabota sua bandeja, e ele é demitido. Ele finge sua morte, troca de nome, trabalha duro, abre um bar e chama Jonas para lá servir, só que tudo na bar é uma grande armadilha para Jonas.

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