Vamos vazar?

Por mais incrível que pareça, a expressão “Vamos vazar” surgiu com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman derivado do seu conceito de “humanidade líquida”.

Assim como já descreveu antes conceitos para medo líquido, tempo líquido, amor líquido e modernidade líquida, esse excelso pensador da contemporaneidade observou nos estados da matéria uma metáfora com as concentrações humanas.

Observando que em 1900 a população total do planeta era de 1,5 bilhões de pessoas e em 2000 era de mais de 6,3 bilhões, esse pensador polonês constatou que os espaços, principalmente os espaços urbanos, antes eram ocupados por pessoas numa concentração que lembravam os gases. Pessoas espalhadas, em baixa densidade, com possibilidade de constante movimento.

Como bem observou o autor, O século XX teve mais que apenas um boom de natalidade, mas os diversos avanços na medicina e a taxação da eugenia e discrinação étnica como crime, a população da raça humana quadriplicou no planeta, fazendo com que mais seres humanos começassem a ocupar o mesmo espaço físico.

Espaços que antes tinham a ocupação humana da densidade de um gás, agora se comportam como líquido: um agrupamento notavelmente maior de pessoas, andando em grupos enviesados.

Foi dele a sugestão de usar a expressão “Vamos vazar daqui” (Let’s leak from here), que se popularizou no Brasil, um país notadamente acadêmico, onde Bauman é ementa essencial em cursos de comunicação e, inclusive, bibliografia recomendada em cursos de filosofia.

A sugestão do autor foi para usar essa expressão toda vez que se saí de uma concentração densa de pessoas. Etimólogos contemporâneos indicam que, no princípio, a expressão foi usada com seu sentido original, mas após a disseminação e a popularização do termo, passou a denominar todo e qualquer deslocamento humano pra fora de um lugar, concentrado ou não.

Fica para o próximo artigo a explicação de outro termo criado por Bauman, “Vamos ferver hoje!”, também derivado de suas metáforas com os estados da matéria e muito usado por clubbers.

Douglas – Designer gráfico e… jornalista?

Comecei a fazer minha arrumação anual do quarto essa semana. Jogando muita coisa velha fora, guardando umas relíquias… Um pouco de nostalgia e muito de alergia.

Mas não é sobre isso que eu quero falar, mas sobre um cartão que achei.

Pra quem não sabe, sou designer gráfico, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Ano passado conheci um sujeito, simpático, gente fina, designer também, mas sem formação acadêmica. Hoje achei o cartão dele, bem bacana, escrito “Designer gráfico”. E ele é designer. Não tenho nada contra.

Mas eu fiquei pensando… Não precisa diploma para ser designer, e agora, não precisa diploma para ser jornalista. Eu poderia muito bem fazer um cartão escrito “Douglas Domingues – Designer gráfico e jornalista”. Experiência? Ah, eu escrevo sempre, já fiz uns fanzines, deve contar… O mais bacana é: quem pode contestar?

Então, pra cada profissão não regulamentada, eu posso adicionar outra atividade no meu cartão, por mais que eu não tenha experiência. Incrível!

Douglas Domingues - Designer gráfico, jornalista, dançarino, acupunturista, músico, prostituto, arquivista, barista, analista de sistemas e etc, muitos etc.

Sacolas plásticas…

Sacola plástica

Esses dias tava esperando um ônibus passar quando eu vi uma sacola plástica voando. Aquilo me fez pensar… E muito.

Algumas pessoas dizem que George Carlin é um humorista gênio, mas que eu acho que é um gênio humorista. Muito famoso por suas apresentações de stand-up comedy, livros e shows gravados em cd. Numa de suas últimas apresentações, pra HBO, ele falou sobre a sacola plástica.

Como ele bem observou, é muito pretensioso dizer que o ser humano vai acabar com a Terra, que já tem quase CINCO BILHÕES DE ANOS. Espécies animais e vegetais entram em extinção todos os dias, e já entravam bem antes dos humanos andarem em pé e cagarem em porcelana. Se alguma coisa está marcada pra acabar, é a humanidade.

As instituições pró-ambiente adoram atacar as sacolas plásticas, por que elas demorar um tempão pra se deteriorar. Mas George Carlin cogitou: E se o planeta só criou os humanos por que não sabia sintetizar sacolas plásticas? E se esse é o objetivo da existência da humanidade?

Parecia só uma piada, até o dia que eu estava esperando um ônibus passar quando eu vi uma sacola plástica voando.

Na minha opinião, uma sacola plástica voando tem mais beleza que a maior parte das poesisas e obras de arte que existem. E eu não estou falando de arte moderna e contemporânea. Pra mim, uma sacola plástica voando tem tanto encanto quanto uma estátua de Michelângelo. É muitíssimo mais formoso que um aviãozinho de papel voando. A forma que o vento guia a sacola, que ela torce e retorce, o ritmo que acelera e desacelera, o jeito que sobe e desce, as vezes tocando o chão, as vezes chegando bem alto… é hipnótico observar.

Conversando com meu grande amigo Miagui Engano, a gente teve uma ideia bacana… Se o plástico demora taaanto tempo pra se deteriorar, uma boa maneira de prolongar nossa passagem tão rápida pela Terra é espalhar nossos plásticos por aí. A gente combinou de pesquisar qual o tipo de plástico MENOS bio-degradável e aprimorar a ideia.

E vivam as sacolas plásticas! Pelo menos mais que a gente elas vão viver…

P.S.: Lembrei também do Macedusss, um dos loucos mais bacanas da internet, que se auto-declarou um Jesus ateu que se auto-criou dentro do útero do fogo do inferno. Ele fundou a “Igreja Dogmática dos Céticos que Usam Saco Plástico na Cabeça”, que sobrevive ainda hoje no Orkut. Veja aqui.

Grafitto #01: Fume peixes!

O Projeto Grafitto faz parte da Operação Mindfuck e propõe propagar slogans absurdos.

Algumas idéias propõem pichações em muros, escrever em dinheiro, panfletos (distribuir ou deixar dentro de livros em bibliotecas, revistas em salas de espera, etc.), espalhar cartazes, colar adesivos, etc.

O Projeto Grafitto não é um projeto artístico ou político, e seu objetivo é o mindfuck em si.

Algumas frases interessantes que eu achei pela internet:

“Papel higiênico é uma conspiração governamental, use as mãos”
“Quer perder peso? Faça guerra de comida!”
“Dormir antes de acordar é prejudicial à saúde”
“Sanidade é o que a maioria dos lunáticos impôs como padrão”
“Amarelo é uma mentira. Ignore-o”
“O que está faltando nessa frase?”

Eu, de bobeira na internet, não sei por quê acabei caindo numa receita de peixe defumado, em inglês, e o título era “How to smoke fish” (Como defumar peixe). Como o verbo smoke serve tanto para defumar quanto para fumar, o trocadilho foi inevitável, e eu acabei criando o “Fume peixes!“, em português.

Fiz um esboço rápido de um homem fumando um peixe pra usar como cartaz. Se alguém quiser a imagem vetorizada e em alta resolução, é só me mandar um e-mail. Ou pode também criar sua própria imagem!

Fume peixes

Aguardem por novas frases, panfletos e cartazes do Projeto Grafitto!

P.S.: Depois que eu fiz esse desenho, eu fiquei pensando que, limpando os miolos de um peixe e recheando-o com fumo, a idéia de fumar usando um peixe como filtro ficou até interessante…

Me indica um artigo

Começo de curso na universidade, o pessoal empolgado, uma menina da minha sala manda um e-mail pedindo a indicação de um artigo bacana. Eis a minha resposta.

Olha, de todos os artigos que eu li, o que eu mais gostei foi o “uma”. Eu conheço vários: o, a, os, as, um, uma, uns, umas. O “uma” tem uma sonoridade interessante, e ainda por cima é do gênero feminino, o que torna as coisas mais interessantes, né? E eu também gosto da subjetividade do artigo “uma” por que ele é um artigo indefinido… Isso abre mil possibilidades… Eu já vi esse artigo precedendo substantivos maravilhosos e fantásticos! Sem dúvida, se eu tenho que eleger o melhor artigo que eu li até hoje, na língua portuguesa, é o “uma”. Um primor de artigo.

Duubhglas

P.S.: Viajei?!

O Cordeiro

cordeiro

Sabe aquela sensação de aperto no peito que dá quando você termina de ler um livro bom? Então, eu tô sentindo ela agora. Até dei um nome pra ela: Síndrome do fim do livro. E quanto melhor o livro, mais o aperto. Puta que pariu, que aperto que eu tô sentindo agora!

O livro em questão é O cordeiro – O evangelho segundo Biff, o brother de infância de Cristo. Faz alguns anos que eu conheço esse livro, mas só de fama. Eu sempre via ele no Amazon.com, mas nunca li um livro de ficção em inglês, e ficava receoso de comprar. Em janeiro desse ano, andando no shopping com meu primo, eu vi uma edição em português e comprei sem nem saber se eu tinha dinheiro pra isso! Comecei a ler a primeira das 560 páginas tão logo eu cheguei em casa, mas como minha ida pra São Paulo, o curso de cinema, minha volta e minha tara por filmes trash, eu diminuí o ritmo de leitura… Bastante! Eu lia grandes nacos do livro, de tempos em tempos.

Eu leio muito, e vários livros em paralelo, e há alguns anos eu percebi que eu sempre sabotava minha leitura quando o livro era muito bom, pra ele durar mais, e acho que foi o caso aqui, por que enquanto lia O cordeiro, eu li um bocado de livros.

O Cordeiro conta a história de Jesus, que aqui é chamado pelo nome original Josué, e quem narra essa história é Levi, aquele que é chamado de Biff. A Bíblia pouco fala da infância de Jesus, e nem sequer cita sua adolescência ou mocidade, e o livro passa por todo esse período. No livro, Josué e Biff peregrinam para achar os três reis magos em busca dos ensimanentos, viajam pra China, Índia, estudam confucionismo, taoísmo, e budismo, conhecem o lendário Yeti, e enquanto Josué aprende yoga, Biff aprende o Kama Sutra… Ah, e Jesus libera o bacon para os judeus, muito importante! O rascunho do sermão da montanha é hilário!

Biff, obviamente, foi um personagem inventado pro livro. Ele é o amigo safado de Jesus, louco em Madalena, tarado pela mãe de Jesus, blasfemo, inventor do sarcasmo, malando ao extremo mas um amigo incomparável, mais do que fiel. Todo mundo tem um amigo safado assim… Se você não tem um amigo desses, você é o tal amigo de alguém! Hehehe!

Embora o livro seja muitíssimo engraçado, ele tem partes dramáticas beeem pesadas, o que em seriados é chamado de dramédia. É um livro que horas faz você mijar de tanto rir, hora faz você pensar profundamente. Vou transcrever um dos momentos de reflexão que eu mais gostei aqui:

Biff falando: “A raça humana, acredito eu, foi projetada para ser movida – ser motivada -  pela tentação. Se o progresso é uma virtude, então essa é nossa maior dádiva. (O que é a curiosidade senão uma tentação intelectual? E que progresso é possível sem curiosidade?) Por outro lado, será que podemos chamar uma fraqueza tão profunda de dádiva, ou será uma falha projetada? Será a tentação em si a culpada pela desgraça humana, ou será apenas a falha de julgamento em resposta à tentação? Em outras palavras, de quem é a culpa? Da humanidade ou do projetista incompetente? Porque não posso deixar de pensar que se Deus nunca tivesse dito a Adão e Eva para evitarem o fruto da árvore do conhecimento, a humanidade ainda estaria correndo nua pelo paraíso, dandçando de felicidade e batizando alegremente as coisas, entre coquetéis , cochilos e coitos.”

Recomendo muitíssimo o livro, independente de qual seja a sua crença. O único pré-requisito é ter senso de humor. Vale a pena o preço do livro, que custa cerca de R$ 50, impresso em papel polen soft, com relevo e cor especial com brilho na capa (papinho de designer…).

Enredos, parte 1

Enredo (ou trama) é a espinha dorsal de uma narrativa. Pode ser definido como uma sucessão de acontecimentos que constituem a ação, em uma produção literária (história, novela, conto etc.).

Alguns amigos já sabem que o meu sonho é viver produzindo filmes trash. Como eu costumo dizer, trash na temática, impecável na técnica.

Estudando cinema, eu me deparei com vários pesquisadores que se questionaram se todas as histórias, todos os enredos, não podem ser reduzidos a alguns poucos padrões. Existem grupos com 4, 20, 36 e diversos agrupamentos.

Um dos que mais me agradou foi o de Ronald Tobias. Como estudo, eu tô traduzindo um dos textos dele, colocando depois de cada tema, um exemplinho trash. Tomara que sirva pra alguém pra alguma coisa.

Vou dividir em 2 ou 3 postagens.

20 enredos de mestre, de Ronald Tobias

Busca – Aventura – Perseguição – Resgate – Fuga – Vingança – Enigma – Rivalidade – Desvantagem – Tentação – Metamorfose – Transformação – Amor – Amor proibido – Sacrifício – Descoberta – Excesso – Ascensão – Decisão

1 – Busca – O enredo envolve a busca do protagonista por uma pessoa, lugar ou coisa, tangível ou intangível (mas deve ser quantificável, então pense nisso como um pronome, por exemplo, imortalidade).

Exemplo: Um jovem vesgo busca por um desentortador de olhos.

2 – Aventura – Este enredo envolve o protagonista em busca de fortuna, e sendo que a fortuna nunca é achada em seu ambiente, o protagonista vai buscá-la em algum lugar além do arco-íris.

Exemplo: Uma samambaia de floricultura com pensamentos bélicos se alista no exército em busca de aventura.

3 – Perseguição – Este enredo envolve esconder e procurar, uma pessoa perseguindo a outra, literalmente.

Exemplo: Um invejoso vendedor de churros contrata um assassino para matar seu rival, que antes de vender churros foi um agente da polícia militar.

4 – Resgate – Este enredo envolve o protagonista buscando alguém ou alguma coisa, geralmente consistindo de três personagens principais – o protagonista, a vítima e o antagonista.

Exemplo: O jovem Alfredo desapareceu, depois de sair em uma busca pela cidade perdida de Lambuku, que escondia um grande segredo do beijo grego. Sua namorada pervertida parte em sua busca, mas ela não contava que a Associação do Sexo Careta a perseguiria.

5 – Fuga – Este enredo envolve um protagonista confinado com desejo de escapar (não inclui alguém tentando escapar de seus próprios demônios).

Exemplo: Após o apocalipse-macho, a Terra se tornou uma grande vila lésbica, onde a reprodução é feita apenas por laboratório, gerando apenas fêmeas. Porém, no palácio da rainha Edinanci vivem enjaulados os 3 últimos homens da Terra, que são um búlgaro, um gay e um nerd.

6 – Vingança – Retaliação do protagonista ou antagonista contra o outro por danos reais ou imaginários.

Exemplo: Ananias era o melhor garçom da boate onde os alienígenas disfarçados de humano costumavam freqüentar. Um dia ganha um prêmio, e seu melhor amigo Jonas, por inveja, sabota sua bandeja, e ele é demitido. Ele finge sua morte, troca de nome, trabalha duro, abre um bar e chama Jonas para lá servir, só que tudo na bar é uma grande armadilha para Jonas.

Jesus e Judas e Judas

Uma mulher vê Judas Iscariotis vendendo o segredo da localização de Jesus e manda entregarem um bilhete a Jesus falando que Judas era traira.
Jesus fica todo desconfiado, mas tem dois Judas na mesa!
Começa a rolar uma tensão, do tipo “Vou dar uma prensa no Judas… Mas é esse Judas ou aquele?”.

Moral da história: Ande com amigos que tenham nomes diferentes. Sempre.

Sugestão final: Se não der, arranje apelidos.
Sugestão final 2: Não repita os apelidos também!

Mastigar…

MastigarOlha o pensamento que me veio na cabeça: Mastigar é tão bom!

Paladar é massa, mas tem umas mastigadas que superam o paladar.

Poutz, cérebro! Cê tem cada ideia, viu?!

Inaugurando o Laboratório, versão 3.0!

Bem-vindos ao terceiro endereço do Laboratório Episcopal Experimental do Papa Duubhglas Juarezzz. Ele começou aqui, depois foi praqui, mas meu lugar é mesmo aqui onde você está, no Delírio Coletivo, junto com meus outros amigos freaks!
Pra inaugurar o novo endereço do Laboratório, vou repetir o texto inaugural do Laboratório em seu primeiro endereço, explicando etimologicamente o nome:

LABORATÓRIO

1 – Local provido de instalações, aparelhagem e produtos necessários a manipulações, exames e experiências efetuados no contexto de pesquisas científicas, de análises médicas, análises de materiais, de testes técnicos ou de ensino científico e técnico;
2 – Lugar destinado a pesquisas e experiências artísticas;
3 – Atividade que envolve observação, experimentação ou produção num campo de estudo ou a prática de determinada arte ou habilidade ou estudo; oficina, workshop.

EPISCOPAL

1 – Trata de assuntos religiosos pra caralho;
2 – Termo que suporta o trocadilho “E pisco o pau”;
3 – Anagrama de “Pepsi Cola”.

EXPERIMENTAL

1 – Relativo a experiência;
2 – Que tem fundamento ou base na experiência, empírico;
3 – Que deriva apenas da experiência;
4 – Que usa experimentação (diz-se de pesquisa, estudo, método etc.).
5 – Ex-peri-mental: significa uma coisa que já foi superficialmente mental.

DO PAPA DUUBHGLAS JUAREZZZ

1- Relativo ao Papa Discordiano (dentre outras funções da Multicabala) Duubhglas Juarezzz (eu).